Dormir com lentes realmente faz mal? O que a ciência descobriu

Dormir com lentes realmente faz mal? O que a ciência descobriu

Dormir com lentes de contato é uma situação mais comum do que muitos imaginam.

Algumas pessoas acabam cochilando no sofá, outras esquecem de retirar as lentes antes de dormir e há também usuários que utilizam lentes aprovadas para uso prolongado.

Mas afinal, dormir com lentes realmente faz mal?

Ou isso é apenas um exagero repetido por profissionais da área?

A ciência estudou essa questão durante décadas e os resultados ajudam a entender por que o sono é um momento tão importante para a saúde dos olhos.

O que acontece com os olhos quando dormimos?

Quando fechamos as pálpebras durante o sono, a quantidade de oxigênio disponível para a córnea diminui naturalmente.

Isso acontece porque a córnea obtém grande parte do seu oxigênio diretamente do ambiente.

Com os olhos fechados, essa fonte fica parcialmente reduzida.

Mesmo sem lentes de contato, a córnea já recebe menos oxigênio durante o sono.

O que os pesquisadores investigaram?

Os cientistas estudaram durante décadas os efeitos do uso de lentes durante o sono.

O objetivo era entender como a combinação entre pálpebras fechadas e lentes de contato poderia afetar a saúde ocular.

As pesquisas analisaram:

  • Oxigenação da córnea;
  • Edema corneano;
  • Infecções oculares;
  • Neovascularização;
  • Complicações relacionadas ao uso prolongado.

A principal descoberta: o risco aumenta durante o sono

Os estudos mostraram que dormir com lentes aumenta o risco de determinadas complicações quando comparado ao uso apenas durante o período acordado.

Isso acontece porque o ambiente ocular muda significativamente durante a noite.

A redução da oxigenação, associada à presença da lente, cria condições diferentes daquelas encontradas durante o dia.

O papel da oxigenação da córnea

Uma das descobertas mais importantes da contactologia foi a relação entre oxigenação e saúde corneana.

Quando a córnea recebe menos oxigênio do que necessita, podem surgir alterações fisiológicas conhecidas como hipóxia corneana.

Entre elas:

  • Edema corneano;
  • Alterações metabólicas celulares;
  • Maior suscetibilidade a complicações;
  • Mudanças na fisiologia da superfície ocular.

As infecções são a maior preocupação?

Sim.

Embora a maioria das pessoas que dorme ocasionalmente com lentes não desenvolva problemas graves, os estudos demonstram que o uso noturno está associado a maior risco de ceratite microbiana.

A ceratite é uma infecção da córnea que pode exigir tratamento médico urgente.

Por isso, profissionais de saúde ocular costumam orientar que as recomendações do fabricante sejam rigorosamente respeitadas.

Existe diferença entre um cochilo e uma noite inteira?

Sim.

Os estudos geralmente avaliam o uso prolongado durante o sono noturno.

Um cochilo ocasional de curta duração não produz exatamente o mesmo cenário fisiológico de uma noite inteira dormindo com lentes.

Ainda assim, remover as lentes antes de dormir continua sendo a prática mais segura para lentes não indicadas para uso noturno.

As lentes modernas resolveram esse problema?

Os materiais modernos melhoraram significativamente a transmissão de oxigênio.

Entre eles estão:

  • Senofilcon A;
  • Comfilcon A;
  • Verofilcon A;
  • Somofilcon A;
  • Samfilcon A;
  • Fanfilcon A.

Esses materiais pertencem à categoria do silicone hidrogel e oferecem níveis de oxigenação muito superiores aos observados em gerações anteriores de lentes.

Mesmo assim, a melhora da oxigenação não elimina completamente os riscos associados ao uso noturno.

Existem lentes aprovadas para uso prolongado?

Sim.

Algumas lentes possuem aprovação regulatória para modalidades específicas de uso prolongado, incluindo determinados períodos de sono.

Entretanto, essa indicação deve sempre ser avaliada individualmente por um oftalmologista.

O fato de uma lente possuir aprovação para uso prolongado não significa que todos os usuários devam dormir com ela.

Quais sinais exigem atenção após dormir com lentes?

Procure avaliação oftalmológica se ocorrer:

  • Dor ocular;
  • Vermelhidão intensa;
  • Visão embaçada persistente;
  • Sensibilidade à luz;
  • Lacrimejamento excessivo;
  • Sensação intensa de corpo estranho.

O que isso significa para quem usa lentes?

A ciência mostra que dormir com lentes modifica o ambiente ocular e aumenta determinados riscos, principalmente quando a lente não foi indicada para essa finalidade.

Embora os materiais modernos tenham melhorado significativamente a oxigenação da córnea, o sono continua sendo um período especial do ponto de vista fisiológico.

Conclusão da Lentenet

Os estudos científicos demonstram que dormir com lentes de contato aumenta o risco de complicações quando comparado ao uso exclusivamente diurno.

A principal razão está relacionada às mudanças que ocorrem na oxigenação da córnea durante o sono e ao aumento do risco de infecções.

Mesmo com os avanços proporcionados pelo silicone hidrogel, a recomendação mais segura continua sendo seguir rigorosamente as orientações do fabricante e do oftalmologista responsável pela adaptação.

Se você dormiu ocasionalmente com as lentes, isso não significa que terá um problema grave. Mas transformar esse hábito em rotina aumenta os riscos ao longo do tempo.

Referência Científica

Stapleton F, Keay L, Edwards K, Naduvilath T, Dart JK, Brian G, Holden BA. The incidence of contact lens-related microbial keratitis in Australia. Ophthalmology. 2008.

PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18061268/

Carrinho de compras