Quanto oxigênio a córnea realmente precisa? O que a ciência descobriu

Quanto oxigênio a córnea realmente precisa? O que a ciência descobriu

A córnea é uma das poucas estruturas do corpo humano que não possui vasos sanguíneos.

Para manter sua transparência e funcionamento normal, ela depende diretamente do oxigênio presente no ambiente.

Mas existe uma pergunta que intrigou pesquisadores durante décadas:

Quanto oxigênio a córnea realmente precisa para permanecer saudável?

A resposta ajudou a transformar a indústria das lentes de contato e levou ao desenvolvimento dos modernos materiais de silicone hidrogel.

Por que a córnea precisa de oxigênio?

Assim como qualquer tecido vivo, as células da córnea necessitam de oxigênio para produzir energia e manter suas funções normais.

Esse processo é fundamental para:

  • Manter a transparência corneana;
  • Preservar a saúde celular;
  • Regular o equilíbrio hídrico do tecido;
  • Garantir uma visão nítida.

Quando a quantidade de oxigênio disponível diminui, alterações fisiológicas podem ocorrer.

De onde vem o oxigênio da córnea?

Quando estamos acordados e com os olhos abertos, a maior parte do oxigênio chega diretamente da atmosfera.

O oxigênio dissolve-se na lágrima e alcança as células da córnea.

Durante o sono, entretanto, essa situação muda.

Com as pálpebras fechadas, a disponibilidade de oxigênio naturalmente diminui.

O que os pesquisadores investigaram?

Durante as décadas de 1970 e 1980, diversos pesquisadores tentaram descobrir qual seria o nível mínimo de oxigênio necessário para evitar alterações fisiológicas da córnea.

O principal foco era entender os efeitos das lentes de contato sobre a oxigenação ocular.

Na época, muitos usuários apresentavam sinais relacionados à hipóxia corneana.

A pesquisa que mudou a contactologia

Um dos estudos mais influentes foi conduzido por Holden e Mertz.

Os pesquisadores analisaram a relação entre a transmissão de oxigênio das lentes e o edema corneano.

O objetivo era determinar níveis mínimos capazes de preservar a fisiologia normal da córnea.

O que a ciência descobriu?

Os resultados mostraram que existe um limiar mínimo de transmissão de oxigênio necessário para reduzir significativamente o risco de edema corneano.

A partir dessas observações surgiram valores de referência amplamente utilizados pela indústria.

Esses dados ajudaram fabricantes a desenvolver materiais cada vez mais eficientes.

Por que o Dk/t se tornou tão importante?

Como não é possível medir diretamente a quantidade de oxigênio que cada usuário necessita em sua rotina diária, os pesquisadores passaram a utilizar o Dk/t como indicador prático da capacidade de transmissão de oxigênio das lentes.

Foi dessa forma que o Dk/t se tornou um dos parâmetros mais importantes da contactologia moderna.

A córnea precisa da mesma quantidade de oxigênio o tempo todo?

Não.

A necessidade de oxigênio varia conforme as condições de uso.

Quando estamos acordados e com os olhos abertos, a disponibilidade de oxigênio é maior.

Durante o sono, a situação muda significativamente devido ao fechamento das pálpebras.

Por isso, lentes destinadas ao uso prolongado exigem níveis muito elevados de transmissão de oxigênio.

Como o silicone hidrogel mudou esse cenário?

O desenvolvimento do silicone hidrogel representou um dos maiores avanços da história das lentes de contato.

Esses materiais permitiram atingir níveis de transmissão de oxigênio muito superiores aos observados nos hidrogéis tradicionais.

Entre os materiais mais conhecidos estão:

  • Senofilcon A;
  • Comfilcon A;
  • Verofilcon A;
  • Somofilcon A;
  • Samfilcon A;
  • Fanfilcon A.

Exemplos de materiais modernos e seus Dk/t

Material Dk/t Aproximado
Etafilcon A 25,5
Nesofilcon A 42
Somofilcon A 86
Verofilcon A 100
Fanfilcon A 110
Senofilcon A 147
Comfilcon A 160

Esses números refletem décadas de evolução tecnológica na busca por maior oxigenação.

Mais oxigênio sempre significa mais conforto?

Não necessariamente.

Embora a oxigenação seja essencial para a saúde da córnea, o conforto depende de diversos fatores.

Entre eles:

  • Qualidade da lágrima;
  • Material da lente;
  • Tecnologias de hidratação;
  • Formato da córnea;
  • Tempo de uso diário.

Por isso, uma lente com Dk/t mais elevado não será automaticamente a mais confortável para todos os usuários.

O que isso significa para quem usa lentes?

A principal conclusão é que a córnea possui necessidades metabólicas reais e depende do oxigênio para manter sua saúde.

A evolução das lentes de contato ocorreu justamente para atender essas necessidades.

Hoje, a maioria das lentes modernas oferece níveis de oxigenação muito superiores aos disponíveis há algumas décadas.

Conclusão da Lentenet

A ciência mostrou que existe uma quantidade mínima de oxigênio necessária para preservar a fisiologia normal da córnea.

Foi a busca por atender essa necessidade que impulsionou o desenvolvimento do conceito de Dk/t e dos modernos materiais de silicone hidrogel.

Compreender a importância da oxigenação ajuda a entender por que fabricantes investem tanto em tecnologias voltadas para a saúde ocular.

Hoje, graças a décadas de pesquisa científica, os usuários têm acesso a lentes muito mais avançadas e eficientes do que as disponíveis no passado.

Referência Científica

Holden BA, Mertz GW. Critical oxygen levels to avoid corneal edema for daily and extended wear contact lenses. Investigative Ophthalmology & Visual Science. 1984.

PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6514285/

Carrinho de compras