O que faz uma adaptação de lentes de contato dar errado? O que a ciência explica
Introdução
Milhões de pessoas usam lentes de contato diariamente com conforto e segurança.
Mesmo assim, algumas adaptações não atingem o resultado esperado.
O usuário sente desconforto.
A visão não fica estável.
O olho resseca rapidamente.
Ou simplesmente surge a sensação de que as lentes “não funcionam”.
Mas será que uma adaptação malsucedida significa que a pessoa não pode usar lentes de contato?
Na maioria dos casos, não.
A ciência mostra que o insucesso costuma estar relacionado a fatores específicos que podem ser identificados durante a adaptação.
O que é considerado uma adaptação malsucedida?
De forma geral, uma adaptação pode ser considerada insatisfatória quando não consegue equilibrar três pilares fundamentais:
- Conforto;
- Qualidade visual;
- Saúde ocular.
Se um desses elementos falha de forma importante, o usuário tende a apresentar dificuldades com as lentes.
O desconforto continua sendo a principal causa
Diversos estudos mostram que o desconforto é o principal motivo de abandono das lentes de contato.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Ressecamento;
- Ardência;
- Sensação de areia nos olhos;
- Sensação de corpo estranho;
- Desconforto no final do dia.
Quando esses sintomas se tornam frequentes, a adaptação tende a ser prejudicada.
O olho seco é um dos maiores desafios
Pesquisadores identificam o olho seco como uma das principais causas de dificuldades durante a adaptação.
Quando o filme lacrimal não consegue permanecer estável, podem surgir:
- Oscilações visuais;
- Desconforto crescente;
- Redução da molhabilidade;
- Sensação de lente seca.
Por isso, a avaliação da superfície ocular é uma etapa fundamental do processo.
A lente escolhida pode não ser a ideal
Nem todas as lentes funcionam da mesma forma para todos os usuários.
Atualmente existem materiais com características muito diferentes, incluindo:
- Senofilcon A;
- Comfilcon A;
- Verofilcon A;
- Somofilcon A;
- Samfilcon A;
- Fanfilcon A;
- Etafilcon A;
- Nesofilcon A.
A escolha inadequada do material pode influenciar diretamente a experiência de uso.
A adaptação não depende apenas do grau
Muitas pessoas acreditam que basta acertar o grau para que a lente funcione.
Na prática, o especialista também considera:
- Curvatura da córnea;
- Movimento da lente;
- Centralização;
- Qualidade da lágrima;
- Necessidades visuais.
Quando algum desses fatores não é adequadamente avaliado, podem surgir dificuldades.
A visão também pode ser um problema
Uma adaptação pode falhar mesmo quando a lente está confortável.
Isso acontece quando a qualidade visual não atende às necessidades do usuário.
Exemplos incluem:
- Visão instável;
- Oscilações de foco;
- Dificuldades em determinadas distâncias;
- Problemas de adaptação às multifocais.
O cérebro precisa de tempo para se adaptar
Especialmente em lentes multifocais, o sistema visual passa por um processo chamado neuroadaptação.
Durante esse período, o cérebro aprende a interpretar novas informações ópticas.
Quando o usuário interrompe o uso muito cedo, pode não dar tempo suficiente para essa adaptação acontecer.
O uso excessivo de telas pode interferir
Estudos mostram que usuários de computador piscam menos vezes por minuto.
Isso pode afetar:
- A estabilidade da lágrima;
- A hidratação da lente;
- O conforto visual.
Por esse motivo, profissionais que passam muitas horas diante das telas frequentemente exigem atenção especial durante a adaptação.
As expectativas podem influenciar o resultado
Um fator frequentemente subestimado é a expectativa do usuário.
Muitas pessoas esperam:
- Conforto absoluto imediato;
- Visão perfeita em todas as situações;
- Adaptação instantânea.
Quando essas expectativas não correspondem à realidade, a satisfação tende a diminuir.
A higiene inadequada também pode prejudicar
O sucesso da adaptação depende do uso correto das lentes.
Problemas de higiene podem favorecer:
- Acúmulo de depósitos;
- Desconforto;
- Irritações;
- Inflamações.
Por isso, as orientações de limpeza e substituição devem ser seguidas rigorosamente.
O que os estudos mostram sobre abandono das lentes?
Pesquisas realizadas com ex-usuários demonstram que os motivos mais frequentes de abandono incluem:
- Desconforto;
- Ressecamento;
- Problemas visuais;
- Conveniência;
- Custos;
- Falta de adaptação adequada.
Curiosamente, muitos desses fatores podem ser minimizados com novas tecnologias e ajustes apropriados.
Os materiais modernos reduziram parte desses problemas
A evolução das lentes trouxe avanços importantes.
Tecnologias como:
- HydraLuxe;
- HydraGlyde;
- Aquaform;
- SMARTSURFACE;
- WetLoc;
- MoistureSeal;
foram desenvolvidas justamente para melhorar a interação entre a lente e a superfície ocular.
Isso ampliou significativamente as possibilidades de adaptação bem-sucedida.
Uma adaptação ruim significa que a pessoa não pode usar lentes?
Na maioria das vezes, não.
Muitas pessoas que tiveram experiências negativas no passado conseguem utilizar lentes com sucesso após:
- Nova avaliação;
- Troca de material;
- Ajustes na adaptação;
- Tratamento de olho seco;
- Mudança da modalidade de uso.
Por isso, uma tentativa frustrada não deve ser encarada como uma sentença definitiva.
O que a ciência descobriu?
Os estudos mostram que o sucesso das lentes de contato depende da interação entre múltiplos fatores relacionados ao usuário, à lente e à superfície ocular.
Quando conforto, visão e saúde ocular trabalham em equilíbrio, a adaptação tende a ser muito mais bem-sucedida.
Conclusão da Lentenet
Uma adaptação de lentes de contato raramente falha por um único motivo.
Na maioria dos casos, o insucesso está relacionado a fatores como olho seco, escolha inadequada da lente, expectativas irreais, dificuldades de adaptação visual ou incompatibilidade com o estilo de vida do usuário.
A boa notícia é que os avanços científicos ampliaram enormemente as opções disponíveis atualmente.
Por isso, uma experiência ruim no passado não significa que o uso de lentes de contato esteja descartado para sempre.
Referência Científica
Pritchard N, Fonn D, Brazeau D.
Discontinuation of Contact Lens Wear: A Survey.
International Contact Lens Clinic.
Nichols JJ.
Contact Lens Related Dry Eye and Discontinuation Studies.
Dumbleton K, Woods CA, Jones LW, Fonn D.
The Relationship Between Contact Lens Comfort and Long-Term Wear Success.
Eye & Contact Lens.
American Academy of Ophthalmology – Contact Lens Adaptation and Patient Management.
