O que a ciência descobriu sobre olho seco em usuários de lentes de contato?
A sensação de ressecamento ocular é uma das principais razões que levam usuários a abandonar o uso de lentes de contato.
Mas o que a ciência realmente descobriu sobre esse problema?
Nos últimos anos diversos pesquisadores estudaram a relação entre lentes de contato, filme lacrimal e conforto ocular. Os resultados ajudam a entender por que algumas pessoas sentem desconforto enquanto outras utilizam lentes durante anos sem dificuldades.
O que o estudo investigou?
Pesquisadores do TFOS (Tear Film & Ocular Surface Society) reuniram especialistas do mundo inteiro para analisar os fatores associados ao desconforto relacionado ao uso de lentes de contato.
O objetivo foi identificar as principais causas do chamado Contact Lens Discomfort (CLD), termo utilizado para descrever sintomas como:
- Ressecamento;
- Ardência;
- Sensação de areia nos olhos;
- Fadiga ocular;
- Desconforto ao final do dia.
Como a pesquisa foi realizada?
O workshop analisou dezenas de estudos científicos publicados ao longo de vários anos.
Os especialistas revisaram evidências relacionadas a:
- Filme lacrimal;
- Materiais das lentes;
- Frequência de troca;
- Depósitos na superfície da lente;
- Ambiente de uso;
- Fatores individuais dos pacientes.
O que os pesquisadores descobriram?
Uma das principais conclusões foi que o desconforto associado às lentes de contato possui origem multifatorial.
Ou seja, raramente existe apenas uma causa.
Diversos fatores podem contribuir para os sintomas:
- Redução da estabilidade do filme lacrimal;
- Ambientes com ar-condicionado;
- Uso prolongado de telas digitais;
- Acúmulo de depósitos na lente;
- Baixa frequência de piscadas;
- Características individuais da superfície ocular.
O papel das telas digitais
Os pesquisadores observaram que usuários que passam muitas horas em frente a computadores, tablets e smartphones tendem a piscar menos vezes por minuto.
Essa redução pode favorecer a evaporação da lágrima e aumentar a sensação de ressecamento.
Por isso, muitas pessoas relatam maior desconforto ao final do expediente de trabalho.
O material da lente faz diferença?
Sim.
Os estudos mostram que o material utilizado na fabricação das lentes pode influenciar o conforto percebido pelos usuários.
Atualmente existem diferentes categorias de materiais:
- Hidrogéis tradicionais;
- Silicone hidrogel;
- Materiais com tecnologias específicas de hidratação.
Entre os materiais modernos frequentemente associados ao conforto estão:
- Senofilcon A;
- Comfilcon A;
- Verofilcon A;
- Somofilcon A;
- Samfilcon A.
Lentes diárias ajudam?
Diversos estudos sugerem que lentes de descarte diário podem apresentar vantagens relacionadas à higiene e à redução do acúmulo de depósitos.
Como uma lente nova é utilizada todos os dias, o usuário não convive com resíduos acumulados durante semanas ou meses.
Isso pode contribuir para uma experiência mais confortável em determinados perfis de usuários.
O que isso significa para quem usa lentes?
A principal conclusão é que o ressecamento ocular nem sempre significa que a lente é ruim.
Muitas vezes o problema está relacionado à combinação de vários fatores:
- Tempo de uso;
- Ambiente de trabalho;
- Uso excessivo de telas;
- Qualidade da lágrima;
- Material da lente;
- Frequência de substituição.
Por isso, uma avaliação profissional é fundamental para identificar a causa do desconforto.
Conclusão da Lentenet
A ciência mostra que o olho seco relacionado às lentes de contato é um problema complexo e multifatorial.
A boa notícia é que a evolução dos materiais e das tecnologias permitiu o desenvolvimento de lentes cada vez mais confortáveis.
Hoje existem opções diárias, quinzenais e mensais desenvolvidas especificamente para melhorar a experiência dos usuários e reduzir sintomas de desconforto.
A escolha da lente ideal deve sempre considerar a orientação do oftalmologista ou profissional responsável pela adaptação.
Referência Científica
Nichols JJ, Willcox MDP, Bron AJ et al. The TFOS International Workshop on Contact Lens Discomfort. Investigative Ophthalmology & Visual Science. 2013.
PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24058135/
